O que é ROAS no SaaS B2B: tutorial prático com exemplos simples

Entenda o ROAS em software por assinatura: fórmula, três formas de cálculo para ciclos longos, relação com CPA e margem, passo a passo de medição e exercícios práticos.

Quem trabalha com software por assinatura ouve falar de ROAS o tempo todo, geralmente numa reunião em que alguém pergunta se os anúncios “estão se pagando”. A resposta parece simples, mas no SaaS B2B ela esbarra em detalhes que o e-commerce não tem: o lead pede uma demo, passa semanas em avaliação, testa o produto num trial e só depois assina, muitas vezes com pagamento mensal que se repete por anos.

Este tutorial prático explica o que é ROAS sem jargão, mostra como calcular com exemplos simples e ajuda a decidir quando ele é útil e quando engana. No fim, há exercícios para você aplicar com os dados do seu próprio time.

ROAS em uma frase

ROAS é a receita gerada para cada real investido em anúncios. A sigla vem do inglês return on ad spend, algo como retorno sobre o gasto com anúncios. A conta é:

ROAS = receita atribuída aos anúncios ÷ investimento em anúncios

Um exemplo simples: se a empresa gasta 500 reais em anúncios e as vendas atribuídas a eles somam 2.500 reais, o ROAS é 5. Para cada real investido, voltaram cinco em receita. O Google Ads explica que, para medir isso na plataforma, é preciso configurar conversões com valor, porque sem valor não existe receita para dividir.

Exercício 1: explique o ROAS em uma frase para alguém que nunca estudou marketing. Se a pessoa entender, siga em frente.

Por que o ROAS é mais difícil no SaaS B2B

  • Ciclo longo: o clique acontece hoje, a assinatura pode acontecer semanas depois.
  • Várias etapas: lead, demo, trial, proposta e contrato. O anúncio influencia todas, mas o valor só aparece no fim.
  • Receita recorrente: a primeira mensalidade é só uma parte do que o cliente vai pagar.
  • Vários decisores: quem clicou no anúncio nem sempre é quem assina.
  • Canais que se misturam: LinkedIn, busca, conteúdo e indicação atuam juntos.

Por isso, times de SaaS B2B precisam decidir que “receita” entra na conta antes de comparar campanhas.

Três formas de calcular o ROAS no SaaS

Versão Receita considerada Quando usar
ROAS da primeira receita Primeiro pagamento ou primeiro mês Comparações rápidas, com cuidado para não subestimar
ROAS do contrato Valor do primeiro ano ou do plano anual Quando a maioria assina contratos anuais
ROAS de pipeline Valor das oportunidades geradas, ponderado pela chance de fechar Ciclos longos, para agir antes de a venda fechar

Nenhuma versão é a correta para sempre. O importante é escolher uma, documentar a definição e usar a mesma em todos os relatórios.

Tutorial: medindo o ROAS passo a passo

  1. Defina a conversão principal. Pode ser demo agendada, trial iniciado ou assinatura paga. O Google Analytics permite marcar eventos como conversão.
  2. Atribua valor às conversões. Para uma demo, use um valor estimado a partir do histórico: quanto, em média, uma demo vira de receita.
  3. Marque os links com UTM. Assim, o CRM sabe de qual campanha veio cada lead.
  4. Registre a origem no CRM. Quando a assinatura fechar, a receita fica ligada à campanha original.
  5. Importe as conversões offline. O Google Ads aceita conversões registradas depois, fora do site, o que ajuda em ciclos longos.
  6. Calcule por campanha. Receita atribuída dividida pelo investimento de cada uma.
  7. Compare com a margem. Um ROAS alto não serve se a margem do plano vendido for pequena.

Exercício 2: escolha uma campanha ativa e escreva qual conversão ela otimiza hoje e se essa conversão tem valor configurado.

ROAS, CPA e margem: como se relacionam

  • CPA: custo por aquisição, ou seja, quanto custa cada demo, trial ou cliente.
  • ROAS: quanto de receita cada real de anúncio trouxe.
  • Margem: quanto sobra da receita depois dos custos do produto e do atendimento.

Uma campanha pode ter CPA baixo e ROAS ruim se atrair clientes de planos pequenos. Outra pode ter CPA alto e ROAS excelente se trouxer contratos anuais grandes. Olhar os três juntos evita decisões apressadas. O Google Ads também permite usar o ROAS como meta de lance, mas isso só funciona bem quando os valores de conversão são confiáveis.

Qual é um ROAS bom?

Não existe um número universal. O ROAS mínimo aceitável depende da margem, do ciclo de vida do cliente e do tempo que a empresa aguenta esperar pelo retorno. Uma forma prática de encontrar o seu ponto de equilíbrio:

  1. Descubra a margem média dos planos.
  2. Calcule quanto de receita é necessário para cobrir o anúncio depois da margem.
  3. Esse é o ROAS de equilíbrio; acima dele, a campanha gera lucro na receita considerada.

Exercício 3: faça essa conta com a margem do seu plano mais vendido.

Exemplo prático em SaaS B2B

Exemplo: imagine uma empresa que vende um software de gestão de estoque para distribuidoras, com planos mensais e anuais. Ela anuncia no Google e no LinkedIn, e o time de marketing reporta apenas o número de demos. A diretoria quer saber qual canal traz receita.

O time decide aplicar o tutorial. Define a assinatura paga como conversão final e passa a registrar no CRM a campanha de origem de cada lead. Como o ciclo é longo, cria também um ROAS de pipeline, dando a cada demo um valor estimado a partir do histórico. Depois de alguns meses, importa as assinaturas fechadas para o Google Ads e compara o ROAS de cada canal usando a mesma definição. Descobre que uma campanha com muitas demos gerava poucos contratos, enquanto outra, com menos demos, trazia planos anuais. O orçamento é reorganizado com base nisso.

Erros comuns ao usar ROAS

  • Calcular ROAS sem valores de conversão configurados e confiar no número da plataforma.
  • Misturar definições de receita entre relatórios.
  • Avaliar campanhas com ciclo longo cedo demais.
  • Ignorar margem e cancelamentos ao comemorar um ROAS alto.
  • Usar lance por ROAS com poucos dados de conversão.
  • Não registrar a origem do lead no CRM e perder a ligação entre anúncio e contrato.

Checklist final

  • Tenho uma definição escrita de receita para o ROAS.
  • As conversões principais têm valor configurado.
  • Links usam UTM e o CRM guarda a origem.
  • Assinaturas fechadas voltam para a plataforma de anúncios.
  • Conheço o ROAS de equilíbrio do meu plano principal.

Perguntas frequentes

ROAS é o mesmo que ROI?

Não. ROAS olha só receita sobre gasto com anúncio; ROI considera custos totais e lucro.

Devo usar ROAS para campanhas de topo de funil?

Com cautela. Campanhas de reconhecimento influenciam vendas futuras que o ROAS direto não captura.

Qual receita usar num SaaS com plano mensal?

Defina um horizonte, como os primeiros doze meses, e use sempre o mesmo para comparar.

Preciso de CRM para calcular ROAS?

No SaaS B2B, praticamente sim, porque a venda fecha fora do site e muito depois do clique.

Próximo passo

Se o seu time quer ligar anúncios a assinaturas e investir com base em receita, e não só em leads, conheça a gestão de tráfego pago da MKT com Marcos.

Fontes