Quem começa a trabalhar a presença na busca costuma olhar para o próprio site e perguntar “o que falta aqui?”. É uma boa pergunta, mas incompleta. O Google mostra resultados em comparação: quando alguém procura “dentista no centro” ou “conserto de notebook perto de mim”, várias empresas disputam a mesma tela. Entender o que essas empresas fazem, e onde elas deixam espaço, é o atalho mais honesto para melhorar a sua posição.
Este plano de estudo foi pensado para quem quer aparecer no Google e nunca fez uma análise de concorrência. São cinco etapas, cada uma com um exercício, que levam da escolha dos concorrentes até um plano de ação para páginas, perfil local e avaliações. Não é preciso ferramenta paga para começar.
O que é análise de concorrência na busca
A HubSpot define análise da concorrência como a coleta e avaliação de dados sobre concorrentes diretos e indiretos, olhando produtos, táticas de venda, marketing e presença digital. O Sebrae acrescenta que conhecer a concorrência ajuda o pequeno negócio a ganhar competitividade e a definir melhor seus próximos passos.
Na busca, a análise tem um foco específico: comparar como cada empresa aparece para as mesmas pesquisas, o que ela promete, que prova mostra e qual ação pede ao visitante, seja ligar, pedir rota ou preencher formulário. O objetivo não é copiar, e sim encontrar lacunas e evitar imitar sem estratégia.
Etapa 1: escolher as pesquisas e os concorrentes
Liste de cinco a dez pesquisas que um cliente faria para encontrar o seu serviço. Pense em como ele fala, não em como você descreve o negócio. Depois, faça cada pesquisa no navegador anônimo e anote quem aparece no mapa, nos anúncios e nos resultados orgânicos.
O Google Trends ajuda a comparar termos e ver variações por período e região, o que é útil para escolher entre duas formas de dizer a mesma coisa.
Exercício: monte uma lista com cinco concorrentes que aparecem com frequência nessas pesquisas. Inclua pelo menos um concorrente indireto, como um marketplace ou um portal que responde a mesma dúvida.
Etapa 2: montar a tabela de comparação
Use a mesma tabela para todos. A consistência é o que permite enxergar padrões.
| Critério | O que observar |
|---|---|
| Oferta | Quais serviços destacam e como descrevem |
| Promessa | A frase principal da página ou do perfil |
| Preço | Se mostram valor, faixa ou “sob consulta” |
| Conteúdo | Blog, perguntas frequentes, páginas por serviço |
| Prova | Avaliações, fotos reais, casos, tempo de mercado |
| Atendimento | Botão de WhatsApp, telefone, formulário, horário |
Exercício: preencha a tabela para os cinco concorrentes. Não se preocupe em julgar ainda; só registre.
Etapa 3: analisar o perfil local e as avaliações
Para negócios com endereço ou área de atendimento, o perfil local pesa muito. Compare categoria escolhida, fotos, horário, quantidade e conteúdo das avaliações, respostas do dono e links de ação. Leia as avaliações negativas dos concorrentes com atenção: elas mostram o que os clientes da região valorizam e não estão recebendo.
Exercício: anote três reclamações que se repetem nos concorrentes e pense se o seu negócio resolve alguma delas.
Etapa 4: olhar anúncios e dados próprios
A Biblioteca de Anúncios da Meta permite ver os anúncios ativos de qualquer página, o que revela ofertas e mensagens que os concorrentes estão testando. Se você já anuncia no Google Ads, o relatório de insights do leilão compara o desempenho do seu anúncio com o de outros anunciantes nas mesmas pesquisas.
Seus próprios dados também contam. O relatório de desempenho do Search Console mostra para quais pesquisas o seu site aparece, com cliques, impressões e posição média. O relatório de aquisição de tráfego do Google Analytics indica de onde vêm os visitantes.
Exercício: compare as pesquisas em que você aparece com as da sua lista da etapa 1. As que faltam são candidatas a novas páginas.
Etapa 5: transformar lacunas em plano
- Se ninguém responde uma dúvida comum, crie uma página ou artigo que responda bem.
- Se todos prometem a mesma coisa, encontre um diferencial verdadeiro e deixe claro.
- Se os concorrentes têm muitas avaliações, crie uma rotina para pedir a opinião de clientes satisfeitos.
- Se ninguém mostra preço ou prazo, avalie se informar uma faixa ajuda o cliente a decidir.
Exercício: escolha três ações, uma para página, uma para perfil local e uma para prova, e coloque prazo em cada.
Exemplo prático em quem quer aparecer no Google
Exemplo: imagine uma pequena assistência técnica de celulares que quer ser encontrada no bairro. O dono pesquisa “conserto de tela de celular” e variações com o nome do bairro, e anota cinco concorrentes. Ao preencher a tabela, percebe que quase todos têm página genérica, sem prazo de conserto nem garantia informada, e que as avaliações negativas falam de demora e falta de retorno. Ele decide criar uma página para troca de tela com prazo médio e condições de garantia, atualizar o perfil local com fotos reais da bancada e pedir avaliação a cada cliente satisfeito. Depois de algumas semanas, acompanha no Search Console se a página começa a receber impressões para as pesquisas escolhidas.
Erros comuns no estudo
- Analisar só o concorrente mais famoso e ignorar quem aparece de fato nas pesquisas locais.
- Copiar textos e estrutura em vez de buscar lacunas.
- Usar tabelas diferentes para cada concorrente.
- Fazer a análise uma vez e nunca mais revisar.
- Esquecer o próprio Search Console como fonte de comparação.
Cronograma de estudo sugerido
- Primeira sessão: etapa 1, pesquisas e concorrentes.
- Segunda sessão: etapa 2, tabela preenchida.
- Terceira sessão: etapa 3, perfil local e avaliações.
- Quarta sessão: etapa 4, anúncios e dados próprios.
- Quinta sessão: etapa 5, plano com três ações e prazos.
- Revisão mensal: refazer as pesquisas e atualizar a tabela.
Seguindo esse roteiro, quem quer aparecer no Google troca o palpite por um mapa claro do que os concorrentes fazem e de onde há espaço para se destacar.
Perguntas frequentes
Preciso de ferramenta paga de SEO?
Não para começar. Busca anônima, Search Console, Google Trends e Biblioteca de Anúncios já rendem uma boa análise.
Quantos concorrentes devo analisar?
Cinco é um bom número para iniciantes: dá variedade sem virar um trabalho interminável.
Com que frequência refazer?
Uma revisão mensal das pesquisas principais e uma análise completa a cada trimestre costumam bastar.
Posso usar o texto do concorrente como base?
Não. Use a análise para entender lacunas e escreva com a sua experiência e seus diferenciais.
Próximo passo
Se você quer um plano claro para ganhar espaço na busca a partir do que os concorrentes deixam de fazer, conheça a consultoria de marketing da MKT com Marcos.